Trump afirma que o acordo com o Irã foi "em grande parte negociado" e que o Estreito de Ormuz será reaberto.
Autoridades israelenses temem que o acordo não alcance os objetivos de guerra e transforme o Ormuz em arma.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que um acordo com o Irã para encerrar a guerra "já foi amplamente negociado" e que os detalhes finais "serão anunciados em breve", em uma publicação nas redes sociais na noite de sábado.
O presidente Trump disse ter conversado por telefone com diversos chefes de Estado do Oriente Médio, incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Paquistão, Turquia, Egito, Jordânia e Bahrein, sobre um "Memorando de Entendimento referente à PAZ".
"Um acordo já foi amplamente negociado, sujeito à finalização, entre os Estados Unidos da América, a República Islâmica do Irã e os diversos outros países listados", escreveu o presidente Trump em sua conta no Twitter.
De acordo com reportagens da mídia americana, o memorando de entendimento prevê uma extensão do cessar-fogo por 60 dias, período durante o qual o Estreito de Ormuz será reaberto. Ao mesmo tempo, o Irã poderá vender seu petróleo livremente, já que os EUA suspenderão o bloqueio aos portos iranianos enquanto as negociações sobre o programa nuclear iraniano estiverem em andamento.
Reportagens da Axios e do The New York Times afirmaram que o Irã concordaria em abrir mão de seu estoque de mais de 400 quilos (880 libras) de urânio altamente enriquecido como parte do acordo. A minuta do acordo inclui um compromisso do Irã de nunca buscar o desenvolvimento de armas nucleares.
No entanto, um funcionário iraniano disse à Reuters que Teerã não concordou em entregar seu urânio altamente enriquecido nos termos do acordo atual.
“A questão nuclear será abordada nas negociações para um acordo final e, portanto, não faz parte do acordo atual. Não houve nenhum acordo sobre a transferência do estoque de urânio altamente enriquecido do Irã para fora do país”, disse o funcionário.
Enquanto o presidente Trump afirmava que “o Estreito de Ormuz será aberto” como parte do acordo, a agência de notícias iraniana Fars alegou que o estreito ficaria sob jurisdição iraniana, afirmando que a declaração de Trump é “inconsistente com a realidade”.
A agência de notícias iraniana Tasnim informou que o regime iraniano reafirma sua “soberania sobre o Estreito de Ormuz”, alegando que a situação nessa importante via navegável não retornará ao estado anterior à guerra.
O Axios informou que, durante a prorrogação do cessar-fogo de 60 dias, o Estreito de Ormuz operaria sem pedágio, enquanto os EUA emitiriam isenções de sanções, permitindo que o Irã vendesse petróleo livremente. Os militares iranianos também começariam a remover as minas que haviam implantado durante o conflito.
O veículo de notícias saudita Al-Arabiya publicou o que alegou ser a "versão final", mas que não mencionava nenhuma das principais exigências dos EUA, incluindo o desmantelamento do programa de armas nucleares do Irã, a remoção de seu estoque de urânio altamente enriquecido, limites para seus mísseis balísticos e o fim do apoio a grupos terroristas.
A mídia iraniana também afirma que o acordo encerraria o conflito de Israel com o Hezbollah no Líbano. Um oficial iraniano disse ao NYT que o acordo "cessaria os combates em todas as frentes, inclusive no Líbano".
De acordo com reportagens na mídia israelense, autoridades israelenses estão preocupadas com o acordo, acreditando que ele será prejudicial para Israel, por não atingir muitos dos objetivos declarados pelos EUA e por Israel para a guerra, além de permitir que o Irã utilize o Estreito de Ormuz como arma.
“O acordo emergente é ruim porque sinaliza aos iranianos que eles possuem uma arma tão eficaz quanto as armas nucleares, e essa arma é o Estreito de Ormuz”, disse um alto funcionário israelense ao Canal 12.
O senador republicano Lindsey Graham (Carolina do Sul) alertou que o acordo representa “uma grande mudança no equilíbrio de poder na região e, com o tempo, será um pesadelo para Israel”.
“Se um acordo for firmado para encerrar o conflito com o Irã porque se acredita que o Estreito de Ormuz não pode ser protegido do terrorismo iraniano e que o Irã ainda possui a capacidade de destruir a infraestrutura petrolífera do Golfo, então o Irã será percebido como uma força dominante que exige uma solução diplomática”, escreveu Graham no Facebook, após a publicação de reportagens sobre o conteúdo do acordo.
If a deal is struck to end the Iranian conflict because it is believed that the Strait of Hormuz cannot be protected from Iranian terrorism and Iran still possesses the capability to destroy major Gulf oil infrastructure, then Iran will be perceived as being a dominate force…
— Lindsey Graham (@LindseyGrahamSC) May 23, 2026
“Pessoalmente, sou cético quanto à ideia de que o Irã não possa ser impedido de aterrorizar o Estreito e que a região não possa se proteger contra a capacidade militar iraniana”, acrescentou.
O senador republicano Roger Wicker (Mississippi) chamou o acordo de “um desastre”.
“O rumor de um cessar-fogo de 60 dias – partindo do pressuposto de que o Irã se envolverá de boa fé – seria um desastre. Tudo o que foi conquistado pela Operação Epic Fury teria sido em vão!”, publicou Wicker no Twitter, usando o nome que os EUA dão à guerra.
Em sua publicação no Truth Social, o presidente Trump disse que “teve uma conversa telefônica com o primeiro-ministro israelense Bibi Netanyahu, que, da mesma forma, foi muito boa”.
A mídia israelense afirma que Israel está sendo excluído das negociações, apesar de ser um parceiro importante na guerra.
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