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Especialistas duvidam que a intensificação dos esforços de relações públicas de Israel melhore sua imagem.

 
Manifestantes pró-Palestina com cartazes marcham em frente à Prefeitura durante um protesto anti-Israel no centro de Los Angeles, em 29 de novembro de 2025. (Foto: Ghawam Kouchaki/ZUMA Press Wire via Reuters)

No mês passado, parlamentares israelenses aprovaram um orçamento de US$ 730 milhões para diplomacia pública – mais de quatro vezes a alocação anterior de US$ 150 milhões destinada a melhorar a imagem internacional do país. O aumento expressivo ocorre em um momento em que Israel enfrenta uma hostilidade global sem precedentes e um declínio no apoio nos Estados Unidos.

De acordo com uma pesquisa do Pew Research Center, realizada em abril, 60% dos americanos agora têm uma visão desfavorável de Israel, enquanto apenas 37% têm uma visão positiva. O apoio a Israel, que antes era um tema de consenso bipartidário em Washington, tornou-se cada vez mais polarizado, com crescente ceticismo dentro do Partido Democrata. Entre os republicanos com menos de 50 anos, 57% também relatam visões negativas.

O apoio está caindo mais acentuadamente entre os americanos mais jovens e sem religião. Mesmo dentro da comunidade judaica americana – historicamente uma das bases de apoio mais fortes de Israel – o apoio caiu para menos de dois terços. Uma pesquisa do Gallup, realizada em fevereiro, constatou que, pela primeira vez, mais americanos simpatizam com os palestinos do que com Israel.

Em dezembro passado, o Ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa'ar, avaliou que Israel precisa intensificar drasticamente seus esforços de diplomacia pública na guerra global pela conquista de corações e mentes.

"Tivemos um grande avanço este ano, mas, como país, precisamos investir muito, muito mais", afirmou Sa'ar.

"Deveria ser como investir em jatos, bombas e interceptores de mísseis. Diante do que está contra nós e do que está sendo investido contra nós, está longe de ser suficiente. Esta é uma questão existencial", alertou Sa'ar.

O Estado judeu tem tentado cada vez mais se aproximar de influenciadores mais jovens nas redes sociais. No entanto, alguns especialistas em comunicação duvidam que o aumento drástico no orçamento de relações públicas melhore a imagem global do país.

"Minha posição é que a história mostra que todo o dinheiro do mundo não ajudará se a política estiver errada", argumentou Nicholas Cull, professor de comunicação da Universidade do Sul da Califórnia e cofundador do estudo de diplomacia pública. Ele comparou a situação atual de Israel com a dos Estados Unidos durante a impopular Guerra do Vietnã.

"O que eu acho é que a história mostra que todo o dinheiro do mundo não ajudará se a política estiver errada", argumentou Cull, professor de comunicação da Universidade do Sul da Califórnia e cofundador do estudo de diplomacia pública. Ele comparou a situação atual de Israel com a dos Estados Unidos durante a impopular Guerra do Vietnã. “Os EUA descobriram isso no Vietnã, quando seu próprio orçamento para diplomacia pública durante a Guerra Fria atingiu o pico.”

Cull descreve o atual esforço de relações públicas de Israel como "segurança reputacional".

"Significa proteger o país tanto acentuando imagens positivas quanto eliminando realidades negativas", explicou Cull. Ele previu que um orçamento de relações públicas reforçado não seria suficiente para melhorar a imagem global do Estado judeu.

"Suspeito que o governo de Israel não conseguirá vender suas soluções ao mundo quando tantos de seus próprios cidadãos questionam a validade dessas soluções e quando o consenso interno diverge amplamente da compreensão internacional da realidade no terreno", disse Cull.

Shibley Telhami, cientista político da Universidade de Maryland, de origem árabe-israelense, pesquisa as opiniões árabes e americanas sobre Israel há muitos anos. Ele acredita que a opinião pública americana em relação a Israel passou por uma mudança paradigmática.

"Houve uma mudança paradigmática nos Estados Unidos em relação a Israel", avaliou Telhami.

"Tenho acompanhado mudanças, particularmente entre os democratas, há uma década e meia. Nunca vi uma mudança como a que vimos", continuou ele. Telhami revelou que suas pesquisas indicam que a maioria dos jovens americanos agora acredita que Israel está cometendo “genocídio” em Gaza e vê os Estados Unidos como cúmplices por seu apoio a Israel.

Muitos israelenses e judeus da diáspora argumentam há anos que Israel não tem conseguido apresentar sua versão dos fatos ao mundo. No entanto, Ilan Manor, professor sênior da Universidade Ben-Gurion, contesta essa visão, baseando-se em extensos estudos sobre os esforços de relações públicas online do Ministério das Relações Exteriores de Israel.

“O problema não é a falta de infraestrutura. O problema não é a falta de competência”, afirmou Manor. Ele avaliou que Israel enfrenta um desafio crescente de legitimidade. “O problema é que as pessoas não acreditam mais no Estado. E esse é um problema muito, muito mais profundo que nenhuma quantia de dinheiro conseguirá resolver.”

Eytan Gilboa, professor de comunicação internacional da Universidade Bar-Ilan e especialista em relações EUA-Israel, saudou a decisão de Israel de aumentar drasticamente seu orçamento de relações públicas.

“Esta é a pior crise na imagem de Israel no exterior”, avaliou Gilboa. “No passado, vimos críticas à política israelense. Desde 7 de outubro, temos visto uma rejeição ao direito de Israel existir”, alertou. Gilboa previu que Israel perdeu uma geração de jovens americanos, uma realidade que ele chamou de “altamente perigosa, porque essas pessoas serão os próximos políticos, elites e jornalistas”.

“Talvez US$ 730 milhões não sejam suficientes”, argumentou. “É preciso estabelecer um mecanismo, um sistema que aborde sistematicamente todos os desafios. Estou bastante pessimista.”

Enquanto isso, Israel enfrenta uma batalha árdua contra uma campanha coordenada de desinformação na Wikipédia que busca demonizar e deslegitimar o Estado judeu, substituindo fatos históricos e contemporâneos por narrativas falsas com motivação política.

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