O primeiro-ministro Netanyahu afirma que a única solução a longo prazo para a crise de Ormuz é um gasoduto através de Israel – mas a Turquia e a Síria competem por essa rota estratégica.
Turquia e Síria pretendem redirecionar o corredor planejado do Golfo para portos sírios e ferrovias turcas.
A única solução a longo prazo para o perigo do regime iraniano bloquear o acesso ao estratégico Estreito de Ormuz passa por Israel, afirmou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em entrevista à Newsmax nesta segunda-feira.
“As soluções a longo prazo incluem o redirecionamento dos oleodutos e gasodutos para oeste, através da Arábia Saudita, até o Mar Vermelho e o Mediterrâneo, contornando o ponto de estrangulamento geográfico do Irã”, disse Netanyahu, acrescentando que os oleodutos e gasodutos devem chegar aos portos israelenses para garantir o “livre fluxo de petróleo e gás” no futuro.
O primeiro-ministro também observou que “existem muitas soluções militares” para reabrir a via navegável estratégica, que “os Estados Unidos estão liderando”, mas se recusou a entrar em detalhes.
O Estreito de Ormuz normalmente transporta cerca de um quinto das exportações globais de petróleo e gás. No entanto, os ataques a navios pelo regime iraniano efetivamente bloquearam a via navegável, fazendo com que os preços da energia disparassem em todo o mundo.
Embora não tenha mencionado especificamente na entrevista, as declarações de Netanyahu se referiam ao “Corredor Econômico Índia-Oriente Médio-Europa (IMEC)”, também conhecido como “Ferrovia da Paz”, que foi anunciado na Cúpula do G20 de 2023 na Índia.
Report on Reshet Bet:
— Open Source Intel (@Osint613) March 29, 2026
With no clear end to the Iran war and growing energy and supply disruptions, regional players are moving to reshape trade routes.
Turkey and Syria under Ahmad al-Sharaa (Jolani) are pushing a rival corridor linking the Gulf to Europe, potentially bypassing… pic.twitter.com/66n0vUDj98
O projeto prevê a criação de uma rota para o transporte de mercadorias da Índia para os Emirados Árabes Unidos por via marítima e, de lá, por uma rota terrestre de 2.000 quilômetros através da Arábia Saudita, Jordânia e Israel até o porto de Haifa, seguindo então para a Europa, reduzindo as distâncias de transporte marítimo pelo Canal de Suez.
No entanto, a Síria e a Turquia estariam trabalhando em um plano alternativo para "excluir" Israel do corredor, conforme noticiado esta semana pela Kan News, e estariam pressionando a Arábia Saudita para que isso aconteça.
Gidon Bromberg, CEO da EcoPeace Oriente Médio, declarou à Kan News: "Enquanto Israel entende que o projeto IMEC transformará a economia do país, os sauditas têm se mantido neutros. Agora, com a guerra no Irã, eles compreendem claramente que o IMEC é de vital importância para o transporte de mercadorias para o oeste — mas têm opções: ou por Haifa, ao norte através da Síria ou da Turquia, ou pelo Egito. A disposição da Arábia Saudita em utilizar Haifa como rota depende de o IMEC fazer parte de uma iniciativa política mais ampla que também inclua avanços nas negociações com os palestinos."
#BREAKING Saudi Arabia is increasing the capacity of the East-West pipeline to its maximum amid disruptions in the Strait of Hormuz.
— Prime (@nucleusprime) March 29, 2026
Saudi Aramco is operating its East-West crude oil pipeline (Petroline) at its maximum capacity of 7 million barrels per day, redirecting crude oil… pic.twitter.com/HWtaISsfs4
A alternativa da Arábia Saudita para o fechamento do Estreito de Ormuz é o "Oleoduto Leste-Oeste", que se estende por mais de 1.000 quilômetros (620 milhas) através da Península Arábica para transportar petróleo até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho.
No entanto, a Bloomberg informou que o oleoduto já está bombeando em sua capacidade máxima de 7 milhões de barris por dia. As exportações sauditas pelo Estreito de Ormuz giravam em torno de 15 milhões de barris por dia.
Além disso, os iranianos já atacaram o porto para pressionar ainda mais a Arábia Saudita, o que destaca a necessidade de novas alternativas.
Segundo a Kan News, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, e o presidente da Síria, Ahmed al-Sharaa, estão trabalhando juntos para estabelecer um novo corredor econômico do Golfo Pérsico à Europa.
A Síria estaria desenvolvendo projetos como uma linha ferroviária de alta velocidade para a Arábia Saudita via Jordânia e uma rede de oleodutos do nordeste da Arábia Saudita para portos sírios.
Erdoğan, que se opôs abertamente ao IMEC por este contornar a Turquia, tem o seu próprio projeto de "Estrada do Desenvolvimento", que visa ligar o Porto de Al-Faw, no sul do Iraque, à fronteira turca e, a partir daí, à Europa, através de comboios de alta velocidade.
A Turquia, o Iraque, o Qatar e os Emirados Árabes Unidos assinaram um memorando de entendimento para o projeto em 2024, com um valor estimado de 17 mil milhões de dólares.
Outra potencial ameaça ao papel de Israel no IMEC vem da França e do Líbano. No mês passado, o Presidente do Líbano, Josef Aoun, pediu ao Presidente francês, Emmanuel Macron, que apoiasse a inclusão dos portos libaneses de Beirute e Tripoli no corredor.
Embora a proposta francesa considere os portos como opções de trânsito adicionais, isto poderá, eventualmente, levar à exclusão de Israel do plano.
The All Israel News Staff is a team of journalists in Israel.