As relações diplomáticas entre Israel e Brasil atingem um novo patamar de tensão após a rejeição de enviados israelenses
As relações diplomáticas entre Israel e o Brasil parecem estar caminhando para o seu ponto mais baixo em décadas, após as autoridades brasileiras terem supostamente rejeitado a nomeação de Vivian Eisen como a próxima cônsul-geral de Israel em São Paulo.
Este último revés ocorre após anos de crescentes tensões entre Jerusalém e o governo do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, de 80 anos, que repetidamente acusou Israel de cometer “genocídio” em Gaza e se tornou um dos críticos mais veementes do Estado judeu no cenário internacional.
As relações já haviam se deteriorado significativamente em 2025, quando o Brasil se recusou a aceitar a nomeação de Gali Dagan como a próxima embaixadora de Israel, deixando Israel sem um diplomata de alto escalão no Brasil e provocando uma redução nas relações diplomáticas entre os dois países.
Na época, as autoridades israelenses reagiram duramente à retórica e às decisões políticas de Lula.
“Quando o presidente do Brasil, Lula, desrespeitou a memória do Holocausto durante meu mandato como Ministro das Relações Exteriores, eu o declarei persona non grata em Israel até que ele se desculpasse”, publicou o Ministro da Defesa, Israel Katz, no Facebook.
Katz então acusou Lula de abraçar posições antissemitas e de se aliar aos adversários de Israel.
“Agora ele revelou sua verdadeira face como antissemita declarado e apoiador do Hamas ao retirar o Brasil da IHRA – órgão internacional criado para combater o antissemitismo e o ódio contra Israel – colocando o país ao lado de regimes como o Irã, que nega abertamente o Holocausto e ameaça destruir o Estado de Israel”, disse ele.
“Como ministro da Defesa de Israel, afirmo: saberemos nos defender do eixo do mal do islamismo radical, mesmo sem a ajuda de Lula e seus aliados”, continuou. "Que vergonha para o maravilhoso povo brasileiro e para os muitos amigos de Israel no Brasil que este seja o seu presidente. Dias melhores ainda virão para o relacionamento entre nossos países."
Lula parecia pouco preocupado com as consequências diplomáticas, e o Brasil também rejeitou agora a tentativa de Israel de nomear Eisen para o posto de São Paulo.
Quando o mandato do atual cônsul-geral, Rafi Erdrich, terminar nas próximas semanas, a representação de Israel no Brasil será ainda mais reduzida.
A embaixada de Israel em Brasília é atualmente chefiada pela conselheira e encarregada de negócios, Rasha Athamni, a primeira cidadã muçulmana de Israel a ingressar no corpo diplomático do país após ingressar no programa de cadetes em 2017.
O Brasil está programado para realizar eleições presidenciais em outubro, na mesma época em que os israelenses devem ir às urnas. Por enquanto, parece haver um consenso silencioso em Jerusalém para esperar e ver se as relações podem ser melhoradas com qualquer governo que surja em Brasília após as eleições.
No entanto, as autoridades israelitas e os defensores pró-Israel argumentam que já foram causados danos significativos aos interesses israelitas, não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina, pelas políticas seguidas durante a administração Lula.
Há também motivos para acreditar que os desafios diplomáticos de Israel no Brasil podem persistir para além da presidência de Lula.
Uma pesquisa divulgada em janeiro revelou que menos da metade dos brasileiros tinha conhecimento do Holocausto, enquanto observadores apontam para tendências crescentes antiocidentais e pós-cristãs entre os jovens brasileiros, apesar do forte apoio a Israel entre os líderes das igrejas evangélicas protestantes do país.
André Lajst, CEO da StandWithUs Brasil, filial local da principal organização internacional pró-Israel voltada à educação, lamentou esta semana: "Este é mais um ponto baixo na relação, e não é bom para o Brasil, Israel ou a comunidade judaica. Espero que as pessoas em ambos os países estejam trabalhando para melhorar as relações o mais rápido possível."
The All Israel News Staff is a team of journalists in Israel.