Presidente Herzog concede a Eisenkot o mandato para formar o próximo governo
O líder do partido Yashar terá 28 dias para formar um governo de coalizão
O presidente israelense Isaac Herzog anunciou, na noite de sábado, após realizar consultas com diversos partidos políticos, que concederá ao líder do partido Yashar, Gadi Eisenkot, o mandato para formar o próximo governo.
Herzog afirmou que a decisão de conceder o mandato a Eisenkot foi tomada após consultas com partidos que, juntos, representam 67 assentos no Knesset e recomendaram o líder do Yashar.
Em comunicado, o gabinete do presidente informou que Herzog convidou formalmente Eisenkot para comparecer à Residência Presidencial no domingo, 8 de novembro, para uma cerimônia oficial que marcará a ocasião. O evento será transmitido ao vivo pela televisão israelense.
“Este é o momento de formar um governo de emergência nacional”, publicou Eisenkot em suas redes sociais após o anúncio do gabinete de Herzog. “Farei tudo o que estiver ao meu alcance para garantir que sejamos dignos dessa responsabilidade.”
זו העת להקמת ממשלת חירום לאומית. אעשה הכל כדי שנהיה ראויים 🇮🇱 https://t.co/18Q3eIE6g0
— Gadi Eisenkot - גדי איזנקוט (@gadi_eisenkot) November 7, 2026
Após a cerimônia, Eisenkot terá 28 dias, conforme a Lei Básica: “O Governo”, para formar um novo governo. Caso não consiga chegar a um acordo de coalizão nesse período, poderá solicitar uma prorrogação de até 14 dias.
Ao final desse prazo, Eisenkot deverá anunciar que conseguiu formar um governo de coalizão ou informar a Herzog que não conseguiu chegar a um acordo. Nesse caso, Herzog realizará novas consultas com os líderes dos partidos antes de escolher outro líder partidário para tentar formar um governo.
Neste momento, não está claro se Eisenkot conseguirá formar um governo de coalizão, apesar das recomendações de partidos que representam a maioria dos assentos no Knesset.
O partido ultraortodoxo Judaísmo Unido da Torá (7 assentos) optou por não recomendar nenhum candidato. Já a Lista Conjunta Árabe, que representa 11 assentos no Knesset, e o partido Ra’am, com 8 assentos, recomendaram Eisenkot, mesmo sem um acordo de coalizão.
O partido B’Yachad (Juntos), de Naftali Bennett e Yair Lapid, com 12 assentos; os Democratas, com 8; e o Yisrael Beiteinu, com 7, também recomendaram Eisenkot, enquanto os demais partidos recomendaram Benjamin Netanyahu.
No entanto, o líder do Yisrael Beiteinu, Avigdor Liberman, reiterou durante o fim de semana que não participará de um governo minoritário apoiado pelos partidos árabes, mesmo que eles não façam parte da coalizão. Liberman afirmou que esse tipo de acordo levaria ao rápido colapso do governo, abrindo caminho para o retorno de Netanyahu ao cargo de primeiro-ministro.
Liberman apontou para o governo Lapid-Bennett, formado em 2021, que durou “pouco mais de um ano”, e afirmou: “Um governo minoritário durará muito menos e, no final, teremos Netanyahu de volta com 70 assentos por mais quatro anos. A partir daí, o caminho para a destruição do Terceiro Templo será curto.”
Liberman também demonstrou disposição para chegar a um acordo de compromisso com os partidos ultraortodoxos, apesar de ter feito campanha anteriormente contra eles. “Diante da variedade de desafios que enfrentamos hoje, o interesse nacional deve estar acima de qualquer outra consideração”, declarou.
Pouco antes de o presidente Herzog anunciar sua decisão, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu divulgou um vídeo convocando os partidos do “Bloco da Mudança” a formarem um governo de unidade com sua atual coalizão. Ele afirmou que “um governo dependente de apoiadores do Hamas não combaterá o Hamas”.
Netanyahu alegou que um governo de Eisenkot, dependente dos partidos árabes, poderia provocar a mesma instabilidade que está ocorrendo atualmente na Europa.
“Com um governo assim, Israel simplesmente não sobreviverá”, afirmou Netanyahu.
“Faço um apelo pela formação de um governo de unidade nacional que inclua todos os partidos do campo nacional e todos os partidos sionistas que desejam proteger nosso país, o único Estado do povo judeu”, declarou Netanyahu. “Um governo de unidade nacional eliminará permanentemente a ameaça nuclear do Irã, protegerá Israel como Estado judeu e trará união entre nós.”
Após a divulgação do vídeo, o partido Yashar, de Eisenkot, respondeu afirmando que Netanyahu havia “dividido” a sociedade israelense. O partido declarou que o Likud seria bem-vindo caso aceitasse os “quatro princípios de Eisenkot” e se juntasse a um governo de unidade sob sua liderança.
O Yashar afirmou que Netanyahu não cumpriu acordos anteriores de unidade e citou sua promessa anterior de não formar um governo com o líder do Poder Judaico, Itamar Ben Gvir, como ministro sênior.
“Se o Likud e seus aliados estão subitamente interessados em ‘unidade’ e em um governo amplo, serão muito bem-vindos a anunciar publicamente a dissolução de sua aliança com os extremistas, a aceitação dos quatro princípios de Gadi Eisenkot e sua disposição de integrar um governo liderado pelo primeiro-ministro Eisenkot”, declarou o partido Yashar.
O líder do partido Democratas, Yair Golan, que apoia a participação dos partidos árabes em um governo de coalizão, afirmou estar aberto à inclusão dos partidos ultraortodoxos, desde que aceitem fazer concessões.
Golan defendeu um aumento no alistamento dos ultraortodoxos nas Forças Armadas e pediu que respeitem o modo de vida secular.
“Assim como respeitamos o modo de vida dos ultraortodoxos, esperamos que eles também respeitem o nosso”, afirmou Golan. “Em nossos municípios, deve ser possível sair aos sábados, tomar um café e, Deus nos livre, chegar até lá usando o transporte público.”
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