Nomes de mais de 1.000 judeus assassinados são lidos pela primeira vez no 84º aniversário do massacre nazista em Babi Yar
“A lembrança é uma arma moral contra a negação”, afirma Sharansky no memorial
Mais de mil vítimas previamente não identificadas do massacre de Babi Yar, no qual as forças nazistas mataram mais de 33.000 judeus na cidade ucraniana durante o Holocausto, foram nomeadas durante uma cerimônia memorial realizada, simultaneamente, em Jerusalém e na Ucrânia.
O massacre de Babi Yar, em 1941, foi um dos maiores assassinatos em massa de judeus durante o Holocausto, e é conhecido como “Holocausto das Balas”, pois a maioria das vítimas foi baleada pelas forças nazistas.
Os assassinatos ocorreram entre 29 e 30 de setembro de 1941, quando soldados nazistas e colaboradores assassinaram 33.771 judeus em uma ravina nos arredores de Kiev.
Even during the war, we never forget the tragedy of Babyn Yar, the tragedy of the Holocaust. This tragedy was so immense because the world was too slow and silently watched as the fascists carried out their aggression. The tragedy of Babyn Yar is an example of why today the world… pic.twitter.com/Go0AcqGlC4
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) September 29, 2025
Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський no X @ZelenskyyUa Mesmo durante a guerra, nós nunca nos esquecemos da tragédia de Babi Yar, a tragédia do Holocausto. Essa tragédia foi tão imensa porque o mundo foi muito lento e assistiu, em silêncio, enquanto os fascistas colocavam em prática a sua violência. A tragédia de Babi Yar é um exemplo do por que, hoje, o mundo… Mostra Mais
Mais tarde na guerra, a ravina também se tornou o local do massacre de outros grupos, incluindo prisioneiros políticos ucranianos, prisioneiros de guerra soviéticos e milhares de ciganos.
O Centro Memorial do Holocausto de Babi Yar (BYHMC) revelou o nome de 1.031 vítimas durante a cerimônia na segunda-feira.
“A descoberta, possibilitada pelo acesso sem precedentes a arquivos e pela digitalização em grande escala, apesar da guerra em curso, lança uma nova luz sobre uma das piores atrocidades do Holocausto — o assassinato de 33.771 judeus durante dois dias em setembro de 1941, o início do ‘Holocausto das Balas'”, disse o centro em um comunicado à imprensa.
No evento memorial realizado em Jerusalém, o presidente do BYHMC, Natan Sharansky, o embaixador da Ucrânia em Israel, Yevgen Korniychuk, e o presidente do Yad Vashem, Dani Dayan, discursaram para os presentes.
A cerimônia fez parte dos eventos do 84º aniversário do massacre. Durante a cerimônia em Kiev, Anna Furman, CEO do Centro Memorial do Holocausto de Babi Yar, revelou a lista de novos nomes que foram descobertos graças a pesquisas contínuas de materiais que sobreviveram ao massacre.
“Tenho orgulho de que a nossa equipe tenha feito isso, descobrindo novos fatos e resultados por meio da colaboração com pesquisadores e instituições, bem como pela análise de todos os materiais que pudemos encontrar”, disse Furman na cerimônia.
Na cerimônia em Jerusalém, Natan Sharansky falou sobre a importância de se recordar.
“A lembrança é uma arma moral contra a negação, o esquecimento e a distorção”, disse Sharansky aos presentes.
“Cada nome que conseguimos restaurar contribui para a honra do Holocausto e promove justiça e dignidade para as suas vítimas. Há uma tentativa flagrante de minar a história e até mesmo apagá-la. Especialmente em tempos de guerra, a obrigação de defendermos a verdade é dobrada.”
Sharansky também disse que as tentativas de se usar o Holocausto contra os judeus, nos tempos modernos, não são novidade.
“Usar o Holocausto contra os judeus não é algo que surgiu hoje”, afirmou Sharansky. “Um professor da Universidade de Columbia e alguns outros, mesmo 20 anos atrás, já diziam que o que os nazistas fizeram aos judeus é o que os judeus fazem, hoje, aos palestinos. Esse é o ápice do antissemitismo. É exatamente isso que os antissemitas dizem o tempo todo.”
“Não é por acaso que os nazistas fizeram Babi Yar em Yom Kippur”, continuou Sharanksy.
“Não é por acaso que a Kristallnacht [Noite de Cristal] aconteceu em Tisha B’Av. Eles pegam os nossos símbolos e os usam contra nós. Após a Shoá, o antissemitismo tornou-se ilegal. Hoje, eles podem pegar o Holocausto e usá-lo contra os judeus.”
O banco de dados do BYHMC, agora, contém o nome de cerca de 30.000 judeus mortos durante o massacre, além de incluir detalhes como relações familiares, idade e profissão. O centro também informou que mais de 2.000 registros existentes foram atualizados e corrigidos desde o início da guerra na Ucrânia.
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