A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de realizar ataques militares contra o Irã veio após várias semanas em que tanto Israel quanto a Arábia Saudita pressionaram por uma ação, informou o Washington Post.
Embora a pressão israelense sobre Trump fosse amplamente conhecida, sendo noticiada tanto na imprensa americana quanto na israelense, a pressão do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman foi conduzida discretamente por meio de telefonemas privados, em oposição às declarações públicas de autoridades do reino saudita.
O Post citou “quatro pessoas familiarizadas com o assunto” para sua reportagem, que afirmaram que bin Salman fez “várias ligações telefônicas privadas para Trump” no mês passado, alertando que o Irã acabaria se fortalecendo se os EUA não cumprissem suas ameaças e prazos.
Embora o Reino da Arábia Saudita e a República Islâmica tenham amenizado publicamente suas diferenças nos últimos anos, após a reaproximação e a restauração das relações diplomáticas em 2023, nos bastidores, a Arábia Saudita continuou a ver o Irã como seu principal rival regional.
De acordo com a reportagem do Washington Post, as ligações telefônicas de bin Salman para Trump foram reforçadas por reuniões entre seu irmão, o ministro da Defesa saudita Khalid bin Salman, e seus homólogos americanos em janeiro, durante as quais ele também alertou sobre as consequências de não atacar.
A posição pública da Arábia Saudita contra a ação militar foi, em grande parte, uma tentativa de impedir um ataque retaliatório iraniano à infraestrutura petrolífera saudita, como aconteceu em 2019 nos ataques às refinarias de petróleo de Abqaiq e Khurais.
Essa estratégia parece ter funcionado para o reino, com apenas um ataque limitado à capital Riade ocorrendo no sábado, como parte de uma ampla série de ataques aos países do Golfo. O governo saudita informou que esse ataque foi repelido, e a mídia saudita não reportou vítimas.
Enquanto isso, o Wall Street Journal (WSJ) informou que os ataques conjuntos de Israel e dos EUA, que mataram o líder supremo iraniano aiatolá Ali Khamenei, foram antecipados com base em informações de inteligência indicando que Khamenei estava envolvido em reuniões com assessores importantes na manhã de sábado.
De acordo com o WSJ, os EUA e Israel estavam esperando por uma oportunidade em que Khamenei e outros altos funcionários estivessem reunidos próximos uns dos outros para realizar um ataque de “decapitação” ao regime.
Essa oportunidade surgiu na manhã de sábado, quando a inteligência israelense descobriu que três reuniões de alto nível ocorreriam simultaneamente.
Reconhecendo a rara oportunidade, os dois aliados entraram imediatamente em ação, com jatos da Força Aérea de Israel lançando 30 bombas sobre o complexo de Khamenei em Teerã.
Junto com Khamenei, Israel afirmou ter matado vários outros altos funcionários, incluindo Ali Shamkhani, conselheiro sênior de segurança de Khamenei; Mohammad Pakpour, comandante da poderosa Guarda Revolucionária Islâmica; e o ministro da Defesa, Amir Nasirzadeh.
Suas mortes foram posteriormente confirmadas pelo regime iraniano.
Amos Yadlin, ex-chefe da inteligência militar israelense, disse ao WSJ que os ataques contrastam com os que lançaram a Operação Rising Lion em junho passado, que foram realizados sob a “cobertura da escuridão”.
“Todos esperavam por um alvo à meia-noite, quando há cobertura da escuridão”, disse Yadlin ao WSJ. Realizar o ataque durante o dia “foi uma surpresa tática”, acrescentou.
Tanto os EUA quanto Israel indicaram que os ataques contra o regime iraniano continuariam “enquanto fosse necessário”.