Manifestação em apoio ao povo iraniano e contra o regime islâmico (Foto: Roobin Norouzi)
No domingo, Downing Street tornou-se palco de uma reunião extraordinária e profundamente emocionante. Milhares de iranianos da diáspora se reuniram lado a lado com israelenses e judeus britânicos em solidariedade ao povo do Irã.
Após a reunião em Downing Street, milhares de iranianos e israelenses marcharam juntos por Londres em direção à embaixada da República Islâmica em Princes Gate, onde, no dia anterior, um manifestante saiu da multidão, escalou a frente da embaixada iraniana e arrancou a bandeira do regime, substituindo-a pela verdadeira bandeira iraniana, o Leão e o Sol.
Cânticos encheram as ruas até tarde da noite. Apesar do frio e da chuva incessante, o protesto continuou com força, alegria e determinação.
Essa mobilização ocorreu em um momento crítico e perigoso, após o apelo de Sua Majestade Reza Shah Pahlavi por uma revolta nacional dentro do Irã contra a República Islâmica e seu apelo paralelo aos iranianos da diáspora para que exigissem ação de seus governos anfitriões, enquanto o regime isola a nação do mundo.
Dentro do Irã, a República Islâmica respondeu da única maneira que sabe, cortando a internet, desligando a eletricidade em muitas áreas, separando famílias umas das outras e disparando contra civis. As comunicações entraram em colapso, o medo se espalhou e, ainda assim, a resistência se intensificou. Famílias ficaram cegas e isoladas, enquanto jovens enfrentavam balas nas ruas.
Manifestação em apoio ao povo iraniano e contra o regime islâmico (Foto: Roobin Norouzi)
Em resposta, iranianos em todo o mundo responderam ao apelo quase unanimemente. De cidade em cidade, de continente em continente, a diáspora iraniana se mobilizou para se tornar a voz daqueles que estão presos dentro do Irã, aqueles que não podem falar, fazer uploads ou mesmo dizer adeus.
Em Londres, a grande manifestação em frente ao número 10 da Downing Street foi organizada pela Stop The Hate UK. Mais de 10.000 iranianos e israelenses de todo o Reino Unido saíram às ruas, apesar das temperaturas congelantes. Não se tratou apenas de um protesto, mas de uma declaração de unidade, memória, resistência e luta comum contra o extremismo islâmico e o terrorismo patrocinado pelo Estado.
O palco reuniu palestrantes, artistas, cantores, ativistas, estudantes, líderes religiosos e aliados britânicos, iranianos e israelenses, transmitindo mensagens em farsi, inglês e hebraico, unidos por uma única exigência: liberdade, justiça e liberdade para o Irã.
Entre os oradores iranianos estava o Dr. Namdar Baghaei-Yazdi, da Associação Iraniana de Direitos Humanos e Aliados (AIHRA), que se dirigiu à multidão com clareza e determinação, enfatizando a responsabilidade histórica da diáspora de agir enquanto o Irã está sob um bloqueio total.
Vozes iranianas da cultura e da sociedade civil também estiveram fortemente representadas. A jornalista e ativista israelense-americana Emily Schrader emocionou a multidão, lembrando a todos que a alegria, a arte e a verdade são armas contra a tirania, condenando os políticos e o governo britânicos por permanecerem em silêncio e condenando a mídia e o jornalismo por serem seletivos.
O ativista iraniano Ghorbani Niyak também participou, reforçando a mensagem de que os iranianos não aceitarão mais o silêncio, a distorção ou o medo.
Bahman Salahshour, um cantor iraniano, cantou apaixonadamente em solidariedade, aquecendo os corações das pessoas, cantando que somos uma grande nação e que vamos recuperar nossa pátria. Enquanto isso, o conhecido artista Sogand deu uma forte mensagem aos iranianos, condenando o regime e se solidarizando com os iranianos em sua dor.
Manifestação em apoio ao povo iraniano e contra o regime islâmico (Foto: Roobin Norouzi)
O ativismo estudantil foi representado por Sheyda Rahbari, uma ativista estudantil sediada em Londres, cujo discurso destacou a coragem da juventude iraniana — a mesma juventude que agora é perseguida nas ruas por exigir liberdade.
Vozes da fé e da consciência também se juntaram à plataforma. A reverenda Hayley Ace, conhecida por sua liderança espiritual e defesa da paz e da dignidade humana, manifestou seu claro apoio ao povo iraniano. Sua presença e suas palavras adicionaram uma dimensão profundamente moral e ética ao evento, lembrando a todos os presentes que essa luta não é meramente política, mas uma luta pela humanidade, pela justiça e pelo valor sagrado da vida.
Vozes israelenses se posicionaram orgulhosamente e visivelmente ao lado dos iranianos. O palestrante israelense Itai Gal subiu ao palco, transmitindo uma mensagem de solidariedade inabalável. Palestrantes, cantores e influenciadores israelenses, incluindo a cantora judia britânica Moni Tivony, declararam abertamente que estão ao lado do povo iraniano contra a República Islâmica, enfatizando que iranianos e israelenses estão unidos contra a mesma fonte de terror.
Os aliados britânicos também subiram ao palco. O influenciador Nicholas Lissack falou sem rodeios, criticando os políticos britânicos, os sucessivos primeiros-ministros e, especialmente, a mídia britânica, destacando a BBC por suas narrativas seletivas, covardia moral e silêncio quando se trata do Irã. O ativista judeu britânico Josh Rose ecoou essas críticas, condenando os meios de comunicação ocidentais por amplificar certas vozes, enquanto descartam o sofrimento iraniano como “não verificado” ou “pouco claro”.
Os oradores desafiaram abertamente a hipocrisia de uma mídia que aceita e transmite imagens fornecidas por grupos ligados a extremistas em outros lugares, mas se recusa a mostrar vídeos iranianos. Ao mesmo tempo, civis estão sendo massacrados durante cortes na internet.
Durante todo o evento, a multidão lembrou todas as vítimas do extremismo, iranianas, israelenses, judias e outras, deixando bem claro onde está a responsabilidade: com a República Islâmica e a rede global de terrorismo islâmico que ela alimenta.
O que dominou a atmosfera não foi o medo, mas a unidade. Não o desespero, mas a determinação. Este protesto enviou uma mensagem clara ao mundo: os iranianos não estão sozinhos. Os israelenses não estão sozinhos. A luta contra a tirania islâmica é compartilhada.
Enquanto a República Islâmica tenta isolar o Irã na escuridão, a diáspora se recusa a ficar em silêncio. Enquanto as famílias dentro do Irã estão separadas de seus entes queridos, o mundo deve ouvir suas vozes através de nós.
O que aconteceu em Londres não foi apenas um protesto, foi a história em movimento.