Yaakov Harari e sua filha Yael (Foto: Ministério das Relações Exteriores)
Yaakov Harari, um empresário argentino-israelense de 72 anos, voltou a Israel na terça-feira após ser libertado da prisão na Venezuela. O regime venezuelano de Maduro condenou Harari a 25 anos de prisão após acusá-lo de ser um “mercenário” com base em imagens encontradas em seu celular. Harari, que negou a acusação, foi libertado após um ano na prisão e lembrou as condições adversas na Venezuela, enfatizando que estava convencido de que sua família e o Estado israelense acabariam garantindo sua libertação.
“Sempre acreditei que voltaria para casa”, disse Harari ao veículo de notícias israelense Ynet News. “Sabia que minhas filhas estavam trabalhando pela minha libertação e que o Estado não me esqueceria.”
Harari, cuja língua materna é o espanhol, conduzia negócios na América do Sul e Central. Em outubro de 2024, ele foi preso pelas autoridades venezuelanas, cortando efetivamente todo o contato com sua família. Ele foi mantido na dura prisão de El Rodeo, onde lhe foi negado um processo legal formal e teve acesso limitado a cuidados médicos.
“Não tenho nenhuma ligação com questões de segurança”, afirmou Harari. “Sou um homem de 72 anos com problemas de saúde que toma medicamentos. Não sou um mercenário, apenas um simples empresário.”
Harari revelou que as condições na prisão eram tão duras que vários detentos de sua ala cometeram suicídio.
Moshe Shitrit, vice-prefeito da cidade israelense de Be'er Sheva, onde Harari reside, revelou que o empresário israelense foi vítima de antissemitismo durante seu tempo na prisão venezuelana.
“Os guardas o acusaram de ser um mercenário e alegaram que ele vinha de um país de assassinos de crianças”, disse Shitrit. “Um guarda chegou a comemorar com ele, dizendo que os iranianos haviam abatido cinco aviões israelenses, o que obviamente nunca aconteceu”, acrescentou, referindo-se à guerra entre Israel e o Irã em junho de 2025.
Shitrit elogiou a resiliência mental de Harari.
“Psicologicamente, ele era muito forte e resiliente”, avaliou. O prefeito israelense revelou que as autoridades israelenses temiam que Harari fosse ferido na prisão venezuelana.
“Desde o início, trabalhamos discretamente porque temíamos que ele pudesse ser prejudicado”, explicou Shitrit. “Não tivemos contato com ele; toda a comunicação foi feita por meio de outros prisioneiros libertados ou representantes de governos estrangeiros ativos na Venezuela.”
Atualmente, a Venezuela e Israel não mantêm relações oficiais. O regime venezuelano tem laços estreitos com a República Islâmica do Irã e abraçou a hostilidade contra Israel e o povo judeu. Após a recente captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA, a vice-presidente de Maduro, Delcy Rodríguez, afirmou que a captura tinha “conotações sionistas”.
Harari lamentou ter viajado para a Venezuela, mas fez uma distinção entre o povo venezuelano e o regime.
“Há pessoas boas na Venezuela e lamento ter ido para lá. Espero que, quando houver uma mudança de governo, o país prospere”, disse Harari.
Enquanto isso, a pequena e combativa comunidade judaica da Venezuela espera que a captura de Maduro marque o início de tempos melhores no país sul-americano.
“Todos estão muito felizes com a notícia, mas precisam ser muito cautelosos”, explicou Daniel Behar, um judeu venezuelano expatriado que vive em Israel. “Há o temor de que toda a comunidade possa sofrer repercussões mais tarde.”