Palestinos caminham entre edifícios destruídos durante a recente guerra em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza, em 24 de novembro de 2025. (Foto: Abed Rahim Khatib/Flash90)
Relatos na mídia Árabe afirmam que mediadores e garantidores do plano de paz de Gaza se reuniram na terça-feira no Cairo para discutir como avançar para a segunda fase do plano.
De acordo com o Al-Qahera News (Canal de Notícias do Cairo), o grupo “se reuniu para discutir maneiras de intensificar os esforços conjuntos, em cooperação com os Estados Unidos, para garantir a implementação bem-sucedida da segunda fase do acordo”.
A situação em Gaza tem estado em um impasse relativo, com o Hamas não entregando os restos mortais dos últimos eféns, conforme estipulado no acordo de cessar-fogo, enquanto incursões diárias de terroristas Palestinos no lado Israelense da Linha Amarela levaram a ataques aéreos das Forças de Defesa de Israel (IDF) contra líderes do Hamas dentro da Faixa de Gaza. Os líderes Israelenses estão cada vez mais preocupados com a possibilidade de o cessar-fogo entrar em colapso.
A agência afirmou que entre os participantes estavam o chefe da Inteligência Geral Egípcia, Major General Hassan Rashad, o Primeiro-Ministro e Ministro das Relações Exteriores do Qatar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, e o chefe da inteligência Turca, Ibrahim Kalin. O site de notícias da Turquia The Daily Sabah afirmou que a reunião também incluiu o chefe do Conselho de Liderança do Hamas, Muhammad Darwish, e os membros do conselho Khaled Meshaal, Khalil al-Hayya, Nizar Awadallah, Zahir Jabarin e o membro do bureau político Ghazi Hamad.
Se for verdade, isso sugeriria um nível preocupante de coordenação com o grupo terrorista Hamas, enquanto a organização continua a recusar a condição de desarmamento do plano de paz.
No entanto, o site de notícias do Golfo Al-Ain News relata que os líderes do Hamas se reuniram separadamente com o chefe da inteligência Egípcia, Hassan Rashad, e não como parte das discussões dos mediadores.
Al-Ain citou o Embaixador Tamim Khallaf, porta-voz oficial do Ministério das Relações Exteriores, que afirmou que a implementação imediata da segunda fase do acordo é necessária para estabelecer acordos de segurança, iniciar os esforços de reconstrução e abrir caminho para o horizonte político da Faixa de Gaza.
Al-Qahera disse que os mediadores também discutiram a questão dos combatentes do Hamas presos em Rafah. As Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram ter matado ou capturado 17 combatentes do Hamas que tentavam fugir por um dos túneis subterrâneos em direção ao território controlado pela organização terrorista. Na terça-feira, os militares afirmaram ter matado outros cinco terroristas na mesma área, que emergiram de um túnel próximo às forças. Outros seis foram alvejados pelo fogo das IDF na manhã de quarta-feira. Após esse confronto, tropas enviadas para investigar o incidente encontraram um grupo de seis combatentes, um dos quais foi morto no confronto anterior. Os soldados mataram outros três antes que os dois restantes se rendessem às forças de Israel.
Enquanto as autoridades Israelenses estão cada vez mais cautelosas sobre o potencial do plano de paz para Gaza, dada a ocorrência de violações regulares do cessar-fogo por militantes Palestinos em Gaza, uma fonte Palestina disse à mídia Árabe na terça-feira que os EUA e seus parceiros entendem que a Autoridade Palestina deve, em última instância, controlar Gaza.
De acordo com a fonte, permitir que a Autoridade Palestina participe da segunda fase do plano de paz acelerará o processo de transição e possibilitará uma estabilização mais rápida.
As declarações foram feitas após uma reunião entre o Vice-Presidente da Autoridade Palestina, Hussein al-Sheikh, e o ex-Primeiro-Ministro Britânico Tony Blair no início desta semana.
A reunião também contou com a presença de Majd Faraj, chefe da Inteligência Geral da Autoridade Palestina, e Majdi Khalidi, assessor de Mahmoud Abbas para assuntos diplomáticos.
A fonte Palestina disse ao jornal Saudita Asharq Al-Awsat que al-Sheikh enfatizou a Blair a necessidade de a Autoridade Palestina assumir o controle da Faixa de Gaza, como parte do “estado Palestino”.
Os dois também discutiram o papel da AP em Gaza por meio de um comitê tecnocrático e das forças de segurança Palestinas, que a AP acredita que devem ser rapidamente implantadas na Faixa de Gaza.
O governo de Israel continua firmemente contrário a qualquer participação da Autoridade Palestina até que reformas significativas dentro da AP e nas instituições controladas por ela sejam realizadas. Autoridades citam o fracasso da Autoridade Palestina em reformar o currículo usado nas escolas da Autoridade Palestina e da ONU, apesar das repetidas promessas de fazê-lo, como prova de que a Autoridade Palestina não é um parceiro válido para a paz.
No início deste mês, o Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu reiterou a resistência do governo à ideia.
“A nossa oposição a um estado Palestino em qualquer território a oeste do Jordão [ Rio], esta oposição é existente, válida e não mudou nem um pouco”, declarou Netanyahu durante uma reunião do gabinete.
Enquanto isso, o Ministro das Relações Exteriores, Gideon Sa'ar, alertou que a obsessão em estabelecer um “estado Palestino” resultaria em uma entidade terrorista governada pelo Hamas que ameaça a segurança nacional de Israel.
“Um estado Palestino seria um estado terrorista do Hamas”, disse Sa'ar a uma delegação de jovens líderes Alemães em Jerusalém no início deste mês.